Scroll Top

Alimentação Saudável

5 Ações básicas para trabalhar o autoconhecimento

trabalhar o autoconhecimento
Você é capaz de estabelecer relações de verdadeira intimidade com pessoas da sua família, com seus cônjuges, com seus amigos? Você é capaz de estabelecer relações de verdadeira intimidade com você mesmo? Nós vivemos hoje, segundo os filósofos, tempos chamados de tempos líquidos. Eu sou parte desses tempos, vocês também. O que são tempos líquidos? Tempos líquidos são tempos onde nós não temos mais certeza de nada. Onde as famílias, antes estruturas muito firmes, muito confiáveis, o alicerce da nossa sociedade, na verdade se desconstituem aos nossos olhos.

Casamentos duradouros, pra o resto da vida? Eu particularmente já casei três vezes. Espero não casar mais nenhuma. Mas o que acontece? A ciência, dona das verdades absolutas, um espaço de conhecimento que parece absolutamente confiável, na realidade, traz apenas uma perspectiva de provisoriedade. E nós estamos aí, envolvidos nesse mesmo processo, no processo de nos sentirmos, de alguma forma, inseguros e encantados pela infinitude de possibilidades que nós temos para acessar e encontrar aquilo que nós todos buscamos, como seres humanos, que é o processo de autorrealização e a conquista da felicidade.

O tema da minha fala hoje é o autoconhecimento, solução de conflitos, propósito de vida e felicidade. E quando a gente vai pensar um pouquinho sobre o que é felicidade, se nós fizéssemos uma pequena viagem num curto espaço de tempo, pensando nas moças da metade do século 20, década de 60, o que a gente imagina que faria uma moça feliz naquela época?

trabalhar o autoconhecimento

trabalhar o autoconhecimento


Fazer o curso normal trabalhar o autoconhecimento, ser professora. Era típico, a escolha quase generalizada para todas as moças na época. Encontrar um bom partido para se casar.

Na época se chamava o “pão”, “aquele rapaz é um pão”, né? E constituir uma família onde todos, então, em paz, em harmonia, ficariam lá até que o processo de envelhecimento separasse um do outro. E agora? O que faz as moças [felizes]? O que faz os homens, as mulheres, as crianças, os idosos felizes? O que faz você feliz? Você já se perguntou? Já se fez essa pergunta? Eu trabalho como pesquisadora e professora universitária há muitos anos, investigando o processo de autorrealização e de autoconhecimento humano e tentando entender um pouquinho como é que as pessoas lidam com os seus conflitos internos e externos. À medida que a gente vai se aprofundando nos conhecimentos a respeito do cérebro, se consolida ainda mais o entendimento de que o nosso aparelho psíquico se subdivide em três partes, basicamente: uma que nós chamamos de consciente e que todos nós conhecemos; a outra que nós chamamos de inconsciente, que se subdivide, segundo um psicólogo muito apreciado atualmente, em duas partes, que seriam o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

Eu estou me referindo, neste momento, ao psicólogo Carl Gustav Jung. O que isso tem de importante pra nós quando a gente pensa em felicidade, propósito de vida e autoconhecimento? Ora, nós estamos acostumados a viver numa sociedade em que só olhamos pra fora. Somos treinados o tempo todo a procurar nas prateleiras do supermercado ou dos shopping centers os produtos que vão garantir a nossa felicidade. É lá, pagando, numa sociedade absolutamente consumista, e não de consumo que nós encontramos o sentido das nossas vidas. Será? Já diz o filósofo Baldan que nós vivemos um processo constante de coisificação do homem e das relações humanas. E nessa roda-viva da vida, nós nos perdemos de nós mesmos. Um exemplo: roupas. Como é comum olharmos para as tendências de moda e dizermos: “Mas como é possível que eu use essa roupa? Que coisa mais ridícula, mais feia, mais estranha, mais desconfortável”. Passa um mês e estamos nós, lá, com a tal da roupinha. Por que será que isso acontece? Porque nós somos, de certa forma, marionetes desse sistema que nos cria a grande armadilha de que nós fujamos de nós mesmos.

Ao longo desses anos de trabalho, me vi pensando: “Como é possível fugir dessa engrenagem tão perversa?” Será que é? Ou será que estamos fadados a ficar o tempo inteiro mergulhando dentro desse buraco negro que se cria em cada um de nós, e, na realidade, satisfazer as necessidades, é algo praticamente inatingível? Nós vivemos, como seres humanos, sentimentos de angústia de ansiedade, de insatisfação e não sabemos bem por quê. Escolhemos em função das escolhas que a sociedade nos coloca, e nos desconectamos cada vez mais de nós mesmos. À medida que fomos estudando e pesquisando as diversas formas de reação humana, fui descobrindo uma coisa muito antiga, chamada autoconhecimento. Autoconhecimento, tão simples, trabalhado desde a Grécia Antiga ou muito antes. O que significa isso? Simples demais. Criar um tempo, criar uma prática de olhar para mim mesmo. E, ao longo dessas pesquisas, eu fui descobrindo, também, que pessoas que não se autoconhecem são incapazes de produzir uma coisa preciosa nas relações interpessoais, chamada empatia.

O que é empatia? Empatia é a capacidade que eu tenho de me colocar no lugar do outro, do ponto de vista do outro, calçar os sapatos do outro. O que acontece que não temos mais condição de desenvolver a condição empática? Por que isso acontece? Isso acontece porque, se meu ponto de partida, eu, é obscuro e desconhecido, como serei eu capaz de ler o outro? Isso é possível? Bem, ao longo dessa minha caminhada como pesquisadora e, acima de tudo, como ser humano que também persegue o autoconhecimento como uma prática diária de busca pela felicidade, eu fui passear de mãos dadas com Carl Gustav Jung, tentando entender que, na realidade, nós somos compostos por personagens interiores, e que, em vez de ficar o tempo todo me projetando pra fora, eu deveria criar uma prática e estimular que a cultura ocidental, dentro do espaço onde eu atuo, pudesse, de alguma forma, valorizar o processo de incursão, de viagem interior.

E foi aí que descobri que temos, dentro de nós, personagens interiores que nós desconhecemos, e que são chamados de arquétipos. O que são arquétipos? Arquétipos são justamente estes registros que são passados de geração pra geração, relativos a experiências vividas pela humanidade, e que compõem nosso inconsciente coletivo. O que é o inconsciente coletivo? Inconsciente coletivo, falamos tanto de redes sociais, é uma espécie de rede social interna que cada um de nós possui, e que se comunica com a rede social interna do outro.

Então, à medida que me deixo seduzir, me deixo encantar por essa possibilidade de viajar para dentro de mim, eu começo a me perguntar: “Quem sou eu de verdade?” “Quem é você de verdade?” “Por que razão você nasceu?” Estudos da Universidade de Harvard vão mostrar que nós temos uma coisa chamada de centro de bem-estar, que também é de natureza arquetípica, e que nos sinaliza se uma determinada experiência é considerada boa ou ruim, através de sensações. Quem de nós quando lembra da infância não tem algumas experiências que geram um frio na barriga, uma sensação de mal-estar? Ou então quando sentimos determinados cheiros quando nós ouvimos determinadas músicas, nós não acabamos experimentando aquela experiência de novo? Todos nós temos isso.

E esse centro de bem-estar serve justamente para sinalizar as escolhas. São tantas as escolhas, são tantas as possibilidades que temos. Como fazemos para fazer a escolha certa? A escolha certa está sinalizada por esse centro de bem-estar. Esse sinalizador interno, autorregulador, que na realidade vai dizer: “Vá por aqui, não vá por ali”. Por que nós somos tão surdos a esse centro? Porque não estamos conectados com nós mesmos. Autoconhecimento significa conexão. E aqui, eu faço um convite para que nós possamos pensar um pouquinho sobre quatro grandes arquétipos, quatro grandes personagens interiores, que todos nós temos dentro de nós mesmos e que na realidade coordenam os nossos processos de: querer, pensar, sentir e fazer. Todos vocês têm esses arquétipos, eu tenho esses arquétipos, e na medida em que nós não entramos em contato com eles, eles acabam agindo individualmente, nos puxando uma hora para um lado, outra hora para outro.

Quando o pensar não está conectado com o querer, que não está conectado com o sentir, que não está conectado com o fazer, o que acontece conosco? Acontece esta vida, organizada pela busca e pelo desencontro do sentido constante. Então, o arquétipo do sonhador é aquele arquétipo relacionado com o nosso desejo, com os nossos sonhos, com a nossa coragem de criar e de perseguir um sonho. Todos nós temos isso, ele está ligado à função do querer.

O arquétipo do pensador é o que nos faz analisar situações, nos faz pensar, aplicar fatos e lógicas sobre as coisas que nós vivemos, ponderar as consequências dos nossos atos. O arquétipo do amante é aquele responsável pelos nossos sentimentos, pelas nossas emoções, pela capacidade que nós temos de estabelecer uma relação de confiança com os outros. E o arquétipo do guerreiro é aquele responsável pelas nossas ações, por aquilo que nós fazemos. Pensem numa orquestra. Imaginem que nós estamos, um cantando um rock, outro tocando música antiga, outro tocando salsa, e outro tocando samba.

O que acontece aí? Se nós não nos autoconhecemos, se nós não investimos nessa escuta ao centro de bem-estar acontece essa bagunça e não aquilo que nós pudemos ouvir aqui antes, tão bem interpretado pelo Fernando, não é? Agora eu queria fazer um teste rápido com vocês. Por favor, façam de conta comigo que o companheiro de vocês está dizendo isso pra vocês e eu quero que vocês selecionem em qual das alternativas vocês se encaixariam mais. Não é um teste preciso, é apenas um levantamento. E aí eu peço que vocês levantem a mão, quem se encaixa mais na resposta um, dois, três ou quatro. “Estou precisando fazer muito mais viagens.” É o companheiro ou a companheira de vocês dizendo isso pra vocês, certo? “Sei que não temos dinheiro, mas estou exausto, estafado, preciso recarregar as baterias.” Primeira resposta, vocês agora: “Adorei a ideia, já posso imaginar nós dois com uma espumante, o sol brilhando, o vento gostoso, perfeito”.

Segunda resposta: “Acho que já estouramos nosso orçamento. Podemos calcular o custo de uma viagem de fim de semana, comparar as despesas com nossas economias, e depois decidir o quanto podemos gastar”. Terceira resposta: “Não sabia que você andava tão cansado. Você quer conversar sobre isso?” Quarta resposta: “Se você fizer um monte de horas extras na próxima semana, e não sairmos para jantar fora, vai dar para pagar os cartões de crédito. Do contrário, uma viagem está fora de questão”. Pergunto pra vocês: se vocês estivessem na condição do interlocutor do companheiro de vocês, quem responderia a opção um, por favor, levante a mão. Muito bem. Quem responderia a opção dois? Por favor levante a mão. Quem responderia a opção três? E quem responderia a opção quatro? Ah, professor! (Risos) Mas, o que eu quero dizer com isso? Quem respondeu a opção um tem o sonhador como arquétipo predominante.

Quem respondeu a opção dois tem o pensador. E aqui nós temos uma maioria de pensadores e de sonhadores. Quem respondeu a opção três tem o amante como arquétipo predominante. E quem respondeu a opção quatro tem o guerreiro como arquétipo predominante. Qual é a ideia desse processo? É que esses quatro arquétipos trabalhem juntos, ancorados no nosso centro de bem-estar. Se acontecer isso, o que nós temos? Nós temos o ponto de partida, o gatilho dado para a nossa viagem de autoconhecimento. E aí? E os conflitos que nós temos? Nós vamos conseguir resolvê-los de forma adequada? Claro que sim.

Por quê? Porque quando eu tenho clareza sobre mim mesma, sobre quem eu sou, eu não preciso entender o conflito como uma situação de disputa com o outro. Eu vou entender os conflitos como um problema que eu tenho pra resolver e que na realidade eu enxergo o meu interlocutor como um parceiro para dividir esse problema. Eu não estou numa arena tentando derrubar o outro.

Não é uma relação de ganhar e perder, e, sim, uma relação de ganhar-ganhar. Propósito de vida? Nós temos um tesouro guardado dentro de nós. Se nós empreendemos nessa viagem de autoconhecimento, e se nós escutamos o nosso centro de bem-estar, se nós valorizarmos nossa inteligência intuitiva, aqui dentro, está o nosso propósito de vida. Não está do lado de fora. Não está nas prateleiras do supermercado. Não está no shopping center. Está aqui dentro. E uma vez que eu consiga empreender nesse processo, eu consigo acessar esse propósito de vida. E quem acessa o propósito de vida acessa a felicidade.

E a felicidade, meus amigos, não é um processo de só sorrisos. A felicidade às vezes envolve choro, envolve tristeza, envolve raiva. Mas todos esses sentimentos são bem-vindos, porque são humanos, e devem ser honrados e acolhidos como uma oportunidade de aprendizagem. Cada um é feliz de um jeito. E somente através desse processo de incursão naquilo que nós somos é que nós vamos poder sentir o que faz o nosso coração vibrar. Como diz o compositor: “Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz”. Tenham coragem, coloquem o coração em ação e sejam muito, mas muito felizes. (Aplausos).

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo: